Jornal Página 3

Carro quebrado e discursos políticos marcam 1º dia da Sapucaí
Brazil Photo Press/Folhapress.
O prefeito do Rio foi
O prefeito do Rio foi "homenageado".

Segunda, 12/2/2018 9:00.

ISABELLA MENON
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A primeira noite de desfiles na Sapucaí teve carro alegórico emperrado na avenida, imagem do prefeito do Rio enforcado e do presidente em trajes de vampiro.

Entre as sete escolas que desfilaram, os destaques foram Mangueira, Paraíso do Tuiuti e Mocidade.

As duas primeiras investiram em forte discurso político e fizeram sucesso com o público.

Como esperado e muito falado, a Mangueira fez o desfile de oposição ao atual prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, que cortou verbas das escolas de samba e de festas de rua do Rio.

Com ares de campeã, a Mangueira saiu da Sapucaí ovacionada pelo público. Os diretores comemoraram o resultado. "Estou muito emocionado. Foi tudo impecável. Só quem é Mangueira sabe como eu estou me sentindo", comemorou, com águas nos olhos, o intérprete Leandro Santos.

O carnavalesco da Mangueira, Leandro Vieira, avaliou a resposta das arquibancadas como se a população mostrasse estar alinhada com as críticas ao prefeito Marcelo Crivella, explícita no enredo da escola desse ano. Mas ele emendou: "mais do que críticas, fizemos uma grande brincadeira. Isso nós sabemos fazer bem."

Leandro se disse satisfeito com o resultado das alegorias e a evolução das alas, mas confessou que passou nervoso com o risco dos carros alegóricos quebrarem. "Sempre a gente passa este nervoso. Mas tudo que foi super bem e a resposta foi a arquibancada cantando com a gente".

Na mesma linha da Mangueira, o Paraíso do Tuiuti também seguiu na linha de críticas à política. Os temas variaram de racismo e escravidão a leis trabalhistas.

A escola optou por samba-enredo contagiante e fantasias alegres para tratar de temas não tão fáceis de serem compreendidos pelo público.

O presidente Michel Temer (MDB) foi representado como um vampiro no último carro alegórico.

Última escola a desfilar, a Mocidade conseguiu manter a plateia animada até o raiar do sol com um desfile bonito e um bom samba, lindamente executado pela bateria. O enredo falava sobre pontos em comum entre as culturas de Brasil e Índia.

A apuração da vencedora será na quarta-feira (14).

CRIVELLA SAIU DO PAÍS

Assunto mais polêmico deste Carnaval, a relação entre o prefeito e a folia continua distante. Ensaiando uma aproximação com a comunidade do samba, Crivella chegou a dizer que iria à Sapucaí, "mas não para sambar".

No entanto, acabou indo viajar. Na sua conta pessoal do Facebook, Crivella justificou sua ausência com uma viagem a Frankfurt, na Alemanha, para conhecer uma agência espacial a fim de reforçar o Centro de Operações do Rio (COR) para cada vez mais oferecer um serviço mais conectado e presente no dia a dia carioca.

O prefeito foi acusado pela comunidade carnavalesca de perseguir a festa num aceno ao seu eleitorado. O maior evento popular do país viu minguar os subsídios dados pela prefeitura nesta edição -cada escola do grupo especial recebia R$ 2 milhões do município. Crivella reduziu pela metade os repasses.

Em 2017, ele tampouco compareceu ao Sambódromo, rompendo com uma tradição.

ACIDENTE

A noite deste domingo (11) também foi marcada pela quebra do carro da Grande Rio. Ao enroscar no lado direito, o carro ficou preso no meio fio da rua, o que impossibilitou a sua entrada na avenida.

O problema pode custar caro à escola que estourou cinco minutos do tempo permitido -o máximo de permanência é de 75 minutos. Cada minuto a mais significa 0,1 ponto a menos à escola, segundo o regulamento da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba).

Apesar do ocorrido, o diretor de Carnaval da Grande Rio, Dudu Azevedo, fez questão de ressaltar que os foliões fizeram um "belíssimo" desfile e que "essas coisas acontecem".

Assim como o presidente da agremiação que deixou a Praça da Apoteose com lágrimas nos olhos, dizendo que "esse ano papai do céu não quis, o diretor atribuiu a falha ao destino e não admitiu erros técnicos ou humanos. "Não sabemos ainda o que houve. Não podemos fazer nada sobre isso agora."

A primeira noite de desfiles também recebeu as escolas de samba Império Serrano, São Clemente, Vila Isabel, Paraíso Tuiuti, Grande Rio, Mangueira e Mocidade.

PROBLEMAS MÉDICOS

Uma mulher morreu na primeira noite dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro. Aos 63 anos, a senhora, que tinha problemas cardíacos, sofreu um mal súbito e foi atendida no posto de saúde da Sapucaí e levada, às pressas, ao Hospital Municipal Souza Aguiar, onde ela não resistiu e morreu.

Até as 4h desta segunda-feira (12), 573 pessoas foram ao posto de saúde do sambódromo e 15 foram levadas ao hospital.

O coordenador técnico da Secretaria da saúde, Geraldo Alves da Silva, afirmou que, mesmo sem a confirmação de dados específicos, há uma percepção geral de que há mais pessoas passando mal esse ano do que nos anteriores.

"Já vi anos em que o clima estava mais quente, mas não havia tanta gente caindo como agora". Ele atribuiu a falta recursos das escolas para esse aumento. "Faltou a estrutura de apoio: água, sanduíches, especialmente nas escolas mais carentes." 

Primeira noite teve público apático
JULIANNA GRANJEIA E BERNARDO MOURA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A primeira noite de desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro na Sapucaí, neste domingo (11), foi marcada por um público apático nas arquibancadas e camarotes não tão prestigiados por famosos quanto nos anos anteriores.

Único político a comparecer na avenida, o senador Romário aproveitou a passagem pelo camarote da Itaipava para criticar o prefeito do Rio, Marcelo Crivella.

"Ele foi eleito pelo povo e tem que ir onde o povo está. Ele é um babaca, um merda", afirmou o pré-candidato ao governo do Rio pelo Podemos.

A rainha do espaço Itaipava foi a cantora Pablo Vittar, que vai estrear na Sapucaí desfilando pela Beija Flor na segunda.

"É a realização de um sonho de infância. Sempre acompanhei pela TV quando eu era criança lá no Maranhão. Minha mãe é torcedora da Mocidade e pedi pra ela me ver na Beija-flor", contou Pablo.

Entre as celebridades que passaram pelo camarote Nº 1, Mariana Ximenes, que desfilou pela Mangueira, Ísis Valverde, que foi rainha do baile do Copacabana Palace, e André Marques, que bate ponto nos camarotes da passarela há pelo menos 25 anos.

No estreante camarote Wood's, quem monopolizou a atenção foi a atriz Larissa Manoela, também pela primeira vez na Sapucaí.
"Sempre acompanhei pela televisão, mas não fazia ideia de como era ao vivo. É uma sensação muito boa", disse a atriz.

VALESCA POPOZUDA

Inspirada pelo lema que se popularizou neste Carnaval, a cantora Valesca Popozuda disse que a frase "não é não" estará presente no seu novo clipe que será lançado após o Carnaval.

O clipe de "Desce o Gim" foi gravado na Vila Mimosa -tradicional zona de prostituição no Rio de Janeiro. Nele, Valesca aparece com uma tatuagem onde se lê "Não é não".

O lema se popularizou entre as mulheres em reação aos assédios sofridos, principalmente nos blocos de carnaval país afora.


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