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Filme faz retrato de patinadora americana acusada de sabotar a carreira da rival

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Divulgação.

Domingo, 11/2/2018 8:39.

GUILHERME GENESTRETI, ENVIADO ESPECIAL
TORONTO, CANADÁ (FOLHAPRESS) - Anta, caipirona, vagabunda, egoísta, ralé, escória branca, molenga, lixão, vadia burra. Durante 120 minutos, Tonya Harding é achincalhada, apanha da mãe com uma escova de cabelo, é estapeada, esfaqueada, empurrada contra espelhos e quase baleada.

O filme "Eu, Tonya", que estreia nesta quinta (15), não chega a redimir a patinadora americana que nos anos 1990 se viu envolvida na agressão física a uma rival. Mas leva a crer que o maior contratempo da esportista talvez tenha sido o fato de que seus conterrâneos não quisessem se ver representados por alguém que consideravam tão abjeto.

Nada sustenta tanto essa tese quanto a insistência dos juízes da modalidade em julgar Tonya menos por suas inegáveis habilidades na patinação no gelo e mais pela forma como ela se apresentava nos rinques: um exemplar xucro da classe de brancos proletários dos Estados Unidos.

"Ela foi penalizada por ser tão espontânea", diz à reportagem o diretor australiano Craig Gillespie. "Não é para se condoer dela, mas, sim, ao menos, entender o que ela passou."

O cineasta escalou a conterrânea Margot Robbie para o papel-título. A atriz e Allison Janney, que interpreta a sua mãe megera, concorrem ao Oscar por suas atuações.

O filme costura uma ácida sátira à competitividade da sociedade ianque e sentencia que a rudeza de Tonya não sairia incólume num esporte como a patinação artística, em que aparência conta muito.

"Ela deveria se parecer menos com uma lenhadora", aconselha a treinadora em determinada cena. Noutra, o que o longa mostra é o pendor ao cafona da protagonista, querendo colocar babados e mais babados no figurino.

É uma "pária do sonho americano", define o diretor. "Ela não tinha recursos, era extremamente pobre. Mas é apreciável o esforço dela, ainda que ela não tenha se esmerado pela via da dignidade."

Com isso, Gillespie se refere ao "incidente", o episódio tido como um dos maiores escândalos do esporte nos EUA, mostrado no filme. Em janeiro de 1994, a principal rival da patinadora, Nancy Kerrigan, teve o joelho ferido por um bastão. O responsável havia sido contratado por Jeff Gillooly, ex-marido de Tonya.

O fuzuê que se seguiu à agressão -e que a transformou na inimiga favorita da América- é a chance de o filme explorar o circo da mídia montado ao redor do caso. E de a protagonista quebrar a quarta parede e dizer para a câmera: "Vocês, espectadores, também são culpados".

Diretor de filmografia variada (da comédia indie "A Garota Ideal" ao drama de sobrevivência "Horas Decisivas), Gillespie apresentou "Eu, Tonya" envolto em mistérios no Festival de Toronto, em setembro passado. Não havia trailer ou pôster para dar pista do tom, e a crítica se perguntava o que levaria alguém a um filme escorado em uma pessoa tão controversa.

A sequência inicial, rodada como "mockumentary" (documentário falso), rendeu o público, que misturava imprensa, elenco e equipe do filme. Com algum constrangimento, riu-se até das (muitas) cenas de violência doméstica.

"Gosto quando a comicidade fica a critério da subjetividade dos espectadores", diz o cineasta. "A história é tão absurda que só com humor negro ela poderia ser contada."

A biografada viu o filme. E até apareceu de mãos dadas com Margot Robbie no Globo de Ouro. Diz Gillespie que ela achou o retrato "honesto". 

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