Jornal Página 3

Brasil fecha 63,6 mil vagas de trabalho com carteira assinada em março

Sexta, 21/4/2017 6:18.

MARIANA CARNEIRO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Ministério do Trabalho informou nesta quinta (20) que foram perdidos 63.624 empregos com carteira assinada em março.

O número reverte a melhora verificada em fevereiro, quando foi registrado saldo positivo de 35.712 vagas.

Apesar de negativo, o número é melhor do que o do mesmo mês do ano passado, quando foi registrada uma perda líquida (saldo entre admissões e demissões) de quase 118 mil postos de trabalho formais.

No primeiro trimestre, o saldo está negativo em 64.378 vagas, uma redução ante à perda de 303 mil vagas no primeiro trimestre de 2016.

"Os números mostram que o Brasil reduz a perda de empregos", disse o ministro Ronaldo Nogueira.

A principal perda de vagas com carteira em março, segundo as estatísticas oficiais, ocorreu no comércio, que sozinho perdeu 33.909 vagas formais.

Entre os oito setores da economia monitorados pelo Caged, sete mostraram retração do emprego. Só a administração pública apresentou dados positivos.

Os números não representam uma frustração, na visão do ministro, porque mostram uma redução das perdas ante o mesmo mês do ano passado.

Além disso, diz ele, há um efeito sazonal negativo sobre o emprego em março, com demissões nos setores de hotéis e restaurantes, com o fim das férias.

O governo havia comemorado o número positivo de fevereiro e usou o dado em comerciais para mostrar que a economia estava retomando.
Nogueira disse que a comemoração não foi precipitada.

"Não foi precipitada, não tinha como não comemorar depois de uma sequência de 22 meses de queda", disse.

O saldo do emprego formal entrou no terreno negativo em abril de 2015.

"Em fevereiro tínhamos que comemorar e comemorar agora também o mês de março, são a metade dos números de 2016", disse.

"Claro que gostaria de estar anunciando a continuidade dos dados do mês de fevereiro. E espero que possamos analisar números positivos em março."

Nogueira voltou a afirmar que os saques das contas inativas do FGTS devem impulsionar o comércio, o que deve ajudar a gerar vagas a partir de abril.

"Vamos melhorando mês a mês, a perda de emprego será reduzida mês a mês", disse.

REFORMA TRABALHISTA

Nogueira defendeu a reforma trabalhista, alegando que a iniciativa vai gerar empregos e dar mais segurança jurídica às relações do trabalho.

O Ministério do Trabalho, porém, é contra a mudanças no trabalho temporário e na contribuição sindical, propostas pelo relatório do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN).

Segundo ele, em dezembro, o ministério elaborou um documento em que apontava a necessidade de que os dois temas fossem mantidos.

"Vamos manter nossa coerência com o que foi acordado com os representantes dos trabalhadores e entidades patronais". 

Meirelles diz que era esperado que postos de trabalho caíssem em março

ISABEL FLECK
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse, nesta quinta-feira (20), em Washington, que eram "esperados" os números do Ministério do Trabalho que mostram a perda de 63,6 mil empregos com carteira assinada em março.

"Esse processo de reversão [da situação econômica] tem uma certa defasagem no que diz respeito à criação de empregos, então isto é um numero esperado. Segundo a nossa expectativa, no meio do ano, teremos uma estabilização e o início de um fluxo mais estável de criação de empregos", disse Meirelles na capital americana, onde participa dos encontros de Primavera do FMI (Fundo Monetário Internacional).

O ministro disse ainda que há uma "volatilidade grande" na análise dos dados mês a mês. "Com um número muito forte de crescimento [da economia] em fevereiro, o que o dado do emprego pode mostrar é alguma acomodação no mês de março da atividade", afirmou.

O número de março reverte a melhora verificada em fevereiro, quando foi registrado um saldo positivo de 35,7 mil vagas.

Questionado se a perda de empregos em março mostra urgência de aprovação da reforma trabalhista, Meirelles disse que a necessidade de mudança é "um fato", independente dos números.

"Ela [reforma trabalhista] precisa ser feita, quanto mais rápido o Brasil voltar a crescer, em taxas melhores, mais importante", afirmou.

TUMULTO

Após afirmar numa palestra no think tank Atlantic Council que as reformas não deverão "ser aprovadas sem tumultos" no Brasil, Meirelles afirmou que a previdenciária deve acirrar mais os ânimos do que a trabalhista.

"A [reforma] previdenciária trata de um tema que atinge a todos, em última análise, que é a expectativa de se aposentar", disse.

O ministro, contudo, disse achar que a "parte mais forte disso [das manifestações] já passou".

"Acho que está um pouco mais calmo, já está se chegando de fato a um movimento onde a reforma já está andando normalmente e as diversas partes já tiveram parte de se manifestar", afirmou, acrescentando que as manifestações são "parte da democracia, mas a violência é condenável".


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