Jornal Página 3

Gestores de fundos estrangeiros veem risco de fuga de investidores na crise

DANYLO MARTINS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A crise política, acentuada nos últimos dias com as denúncias contra o presidente Michel Temer, causou um "golpe significativo" na agenda das reformas, principalmente a da Previdência, diz Axel Christensen, estrategista-chefe de investimentos para a América Latina e Iberia da gestora americana BlackRock, em comunicado.

"Como esperado, os investidores saíram dos ativos brasileiros", diz o documento assinado por Christensen. As perspectivas para os mercados dependem da rapidez com que uma solução institucional possa ser alcançada, escreve ele.

"O efeito da situação no Brasil ainda é altamente incerto, enquanto se aguarda a confirmação das acusações, mas uma investigação judicial pode levar a outro processo de impeachment."

Para James Gulbrandsen, chefe de investimentos para a América Latina da NCH Capital, gestora americana especializada em mercados emergentes, se as gravações contra Temer forem comprovadas, o investidor estrangeiro vai concluir que o Brasil não é um Estado de Direito.

"O estrangeiro está mais focado na resolução da corrupção do país. Mas se as alegações forem provadas, o investidor vai resgatar o investimento dele e não vai voltar logo", diz.

Segundo ele, a probabilidade de as reformas trabalhista e da Previdência continuarem neste momento é muito baixa. "Acho pouco provável que as reformas continuem dessa forma, até que essa situação fique mais estável", afirma.

"O governo tem de vender as reformas para a população. Quando aparece que o governo está envolvido em corrupção, é muito difícil de convencer o povo brasileiro sobre as reformas."

CORTE DOS JUROS

Gulbrandsen prevê que o Banco Central diminua o ritmo de corte da taxa básica de juros (Selic). Para ele, há condições de uma redução dos juros, porque a inflação está sob controle, mas provavelmente não será um corte de 1,25 ponto percentual como o mercado estava esperando.

Ele acredita em uma redução de pelo menos 1% na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). 

FMI projeta crescimento de 0,2% para o Brasil em 2017

O FMI (Fundo Monetário Internacional) projeta um crescimento de 0,2% para o PIB (Produto Interno Bruto) neste ano e uma expansão econômica de 1,7% para 2018.

"O crescimento em 2017 será sustentado pela safra de soja, pelo aumento do consumo, impulsionado pela liberação das contas inativas do FGTS, uma retomada gradual do investimento e a alta dos preços do minério de ferro", diz o relatório divulgado nesta sexta (19). As informações são da Agência Brasil.

As projeções para o Brasil estão abaixo do crescimento esperado para a América Latina e o Caribe, uma expansão econômica de 1,1% para a região em 2017 e de 2% em 2018. Para as previsões, o relatório leva em consideração uma modesta queda dos preços das commotities e o aumento das incertezas políticas globais. Para os economistas da entidade, a América Latina passa por um processo de lenta retomada econômica, após um período de recessão.

No Brasil, o documento destaca que a inflação tem caído rapidamente, ficando dentro da meta ao fechar 2016 em 6,3%. O fundo ressalta ainda a emenda constitucional aprovada no fim do ano passado, que limitou os gastos do governo federal. "Essa emenda é bem-vinda, porque tem como objetivo garantir o retorno do superavit primário [economia para pagamento da dívida pública] e da sustentabilidade da dívida", diz a análise do FMI.

As reformas propostas pelo governo e o progresso da incerteza política são fatores que, na avaliação do FMI, continuaram afetando as perspectivas brasileiras. Nesse sentido, o fundo enfatiza o papel da reforma da Previdência. "É um projeto muito importante. Há uma combinação de fatores no Brasil: Uma tendência demográfica das pessoas viverem mais e as famílias serem menores. O sistema que foi criado décadas atrás precisa ser modificado, atualizado, adaptado para essa nova realidade demográfica", ressaltou o chefe de missão do FMI para o Brasil, Alfredo Cuevas.

CRISE POLÍTICA

O diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Alejandro Werner, disse, no entanto, que ainda é cedo para saber como as turbulências políticas vão afetar a agenda de reformas e a economia nos próximos meses. "É mais sábio esperar e ver como as coisas se desenvolvem. Então, com o cenário mais claro, avaliar a situação", disse, durante apresentação do relatório.

Na quinta (18), o STF (Supremo Tribunal Federal) homologou as delações premiadas dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos do grupo JBS, em que envolvem o presidente Michel Temer. A partir do conteúdo dos depoimentos e de um áudio de uma conversa gravada entre Joesley e o presidente, o ministro do STF Edson Fachin decidiu abrir inquérito para investigar Temer.

"A sociedade tem que achar um caminho para continuar implementando esse programa para que, em poucos anos, a economia brasileira se reestabeleça em um caminho de crescimento econômico sustentável. Achamos que chave para o Brasil é focar nas reformas", ressaltou Werner, ao comentar a possibilidade de haver mudança no comando do país devido à crise política.

Os escândalos de corrupção envolvendo empresas brasileiras também tiveram reflexos negativos na economia do Peru. "Obstáculos domésticos relacionados ao esquema de propinas a políticos em conexão com a companhia brasileira Odebrecht, junto com as piores inundações e deslizamentos em décadas, podem freiar os investimentos e o crescimento em 2017", diz o documento sobre a situação do país vizinho.


Sexta, 19/5/2017 15:33.
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